Sorteei 400 domínios .com.br de uma lista pública de tráfego e abri cada um em 21 de setembro de 2026, com um navegador automatizado simulando um celular. Oitenta e um não abrem: o servidor não responde, o domínio não existe mais, a página devolve erro ou está vazia. É um em cada cinco.
Nos 319 que funcionam, li a página inicial atrás do que se repete: plataforma, canais de contato, rastreadores, aviso de cookies, o básico de SEO. WordPress aparece em 30% deles. Botão de WhatsApp, em 61%. E 85% carregam algum rastreador, mas só metade desses mostra aviso de cookies. A planilha com as 400 linhas, sem o nome dos domínios, está no fim do post.

Como montei a amostra
A base é a lista Tranco de 21/09/2026 (identificador 64X5X), a mesma que usei para ler o robots.txt de 200 grandes sites brasileiros. Desta vez fui para o outro lado da lista. Peguei só os domínios .com.br entre a posição 100 mil e 1 milhão do ranking mundial, a cauda longa: sites que têm tráfego mensurável, mas não são portal nem grande varejista. Tirei os de conteúdo adulto e apostas e os que são claramente infraestrutura, como CDN e servidor de e-mail. Sobraram 12.195 domínios, e deles sorteei 400 com semente fixa, para o sorteio poder ser refeito.
Cada domínio foi aberto em viewport de celular. O script esperou a página carregar, guardou o status da resposta e leu a página inicial: links, formulários, scripts carregados, metadados. Nenhum formulário foi enviado, nenhuma página interna foi visitada.
O que a amostra é: um retrato de sites brasileiros de médio e pequeno porte com algum tráfego. O que ela não é: uma amostra de todos os sites do país. Site que ninguém visita não entra na Tranco.
Um em cada cinco não abre
| Resultado | Domínios | Percentual |
|---|---|---|
| Site no ar | 319 | 79,8% |
| Servidor não responde | 25 | 6,3% |
| Página de erro (403, 404, 401, 503) | 19 | 4,8% |
| Página vazia ou estacionada | 17 | 4,3% |
| Conexão recusada ou interrompida | 11 | 2,8% |
| Domínio não resolve | 8 | 2,0% |
| Erro de certificado | 1 | 0,3% |
Verificado em 21/09/2026, 400 domínios sorteados.
Nem todo caso é site quebrado. Dos 19 erros HTTP, 14 são 403, e parte deles é firewall recusando navegador automatizado, não site fora do ar. Alguns dos que não respondem são domínios que servem uma API ou um aplicativo e nunca tiveram página. Descontando os 14 que recusaram com 403, sobram 67 endereços, 17% da amostra, com a ressalva de que alguns deles nunca tiveram página para mostrar.
Ainda é muito. São domínios com tráfego suficiente para aparecer num ranking mundial, com uma página "em construção", uma listagem de pasta do servidor ou um domínio que ninguém renovou.
Em que plataforma os 319 rodam
| Plataforma | Sites | Percentual dos 319 |
|---|---|---|
| Não identificada | 149 | 46,7% |
| WordPress | 96 | 30,1% |
| Next.js | 14 | 4,4% |
| VTEX | 10 | 3,1% |
| Nuvemshop | 7 | 2,2% |
| Wbuy | 7 | 2,2% |
| Squarespace | 5 | 1,6% |
| Shopify, Tray e Drupal | 4 cada | 1,3% cada |
| Magento e Blogger | 3 cada | 0,9% cada |
| Wix, Webflow e GoDaddy | 2 cada | 0,6% cada |
Detecção por assinatura no código da página inicial, testado em 21/09/2026.
O WordPress responde por 30% dos sites no ar, e é de longe a plataforma mais identificável. Metade dos sites em WordPress usa Elementor, 48 de 96, e um terço tem WooCommerce, 33 de 96. O grupo "não identificada" é grande porque junta sistema próprio, framework sem assinatura e plataforma que eu não procurei. Não leia como "46% feitos à mão".
Um terço da amostra é loja virtual: 109 sites, somando plataformas de e-commerce, WooCommerce e páginas com carrinho. Os construtores de site que dominam a publicidade, Wix e Squarespace, somam 7 sites. Nessa faixa de tráfego, quem aparece é WordPress e plataforma de loja.
O que quase todo site tem

| Recurso na página inicial | Sites | Percentual dos 319 |
|---|---|---|
| HTTPS | 318 | 99,7% |
| Google Analytics ou Tag Manager | 258 | 80,9% |
| Link para o Instagram | 237 | 74,3% |
| Política de privacidade | 230 | 72,1% |
| Link para o Facebook | 214 | 67,1% |
| Botão ou link de WhatsApp | 196 | 61,4% |
| Tag do Google Ads | 170 | 53,3% |
| Pixel da Meta | 162 | 50,8% |
| Aviso de cookies | 153 | 48,0% |
| Imagens em WebP ou AVIF | 134 | 42,0% |
| Formulário de contato | 116 | 36,4% |
| Hotjar ou Microsoft Clarity | 100 | 31,3% |
| Link de telefone clicável | 91 | 28,5% |
| Pixel do TikTok | 50 | 15,7% |
| Widget de chat | 41 | 12,9% |
Leitura automatizada da página inicial, testado em 21/09/2026.
O HTTPS virou universal: um único site dos 319 ainda abre sem ele. Cinco anos atrás essa linha seria a manchete.
O WhatsApp ganhou do formulário
Seis em cada dez sites têm link de WhatsApp na página inicial, contra 36% com formulário e 28% com telefone clicável. Nas lojas virtuais o WhatsApp aparece em 78%. Nos outros sites, em 53%.
O widget de chat, aquele balão no canto da tela que foi padrão por uma década, está em 13%. O mercado brasileiro trocou o chat do site pela conversa no aplicativo que o cliente já tem aberto. Para quem atende, isso muda onde o trabalho acontece: a fila não está mais numa ferramenta de atendimento, está num número de telefone. Fiz a conta do que custa automatizar essa fila em atendimento com IA no WhatsApp: quanto custa de verdade.
Na outra ponta, 66 sites, 21%, não têm nenhum canal clicável na página inicial. Nem WhatsApp, nem telefone, nem e-mail, nem formulário. Parte é portal de conteúdo, que não precisa. Parte é empresa com o telefone escrito como texto no rodapé, que no celular não disca.
Quem rastreia e quem avisa
Dos 319 sites, 270 carregam pelo menos um rastreador: Analytics, Tag Manager, pixel da Meta, tag do Google Ads, pixel do TikTok, Hotjar ou Clarity. É 85% da amostra.
| Entre os 270 sites que rastreiam | Sites | Percentual |
|---|---|---|
| Têm política de privacidade | 212 | 78,5% |
| Mostram aviso de cookies | 144 | 53,3% |
| Não mostram aviso de cookies | 126 | 46,7% |
| Não têm política de privacidade | 58 | 21,5% |
Testado em 21/09/2026.
A política de privacidade pegou: quatro em cada cinco sites que rastreiam têm uma. O aviso de cookies, não. Quase metade carrega pixel de anúncio e ferramenta de gravação de sessão sem dizer nada ao visitante na entrada. Dos 116 sites com formulário, 18 coletam nome e contato sem política de privacidade publicada.
O detalhe que mais me chamou atenção é o Hotjar e o Clarity em 31% dos sites. São ferramentas que gravam o movimento do mouse e os cliques de cada visita. É o tipo de coleta que mais pede aviso, e é instalada com um clique, muitas vezes por quem nunca abriu um relatório dela.
A ressalva do método: o script detecta o aviso pelo texto visível na página. Um banner que só aparece depois de alguns segundos, ou só para visitante de determinada região, pode ter escapado.
Metade anuncia, e dá para ver onde
| Sinal de mídia paga | Sites | Percentual dos 319 |
|---|---|---|
| Tag do Google Ads | 170 | 53,3% |
| Pixel da Meta | 162 | 50,8% |
| Pixel do TikTok | 50 | 15,7% |
| Nenhum rastreador de qualquer tipo | 49 | 15,4% |
Testado em 21/09/2026.
Ter o pixel instalado não prova que o site anuncia hoje, prova que em algum momento se preparou para isso. Mesmo assim, o empate entre Google e Meta é o retrato do mercado: metade dos sites com tráfego tem as duas portas abertas. O TikTok, com 16%, já é maior que o chat no site.
Os 49 sites sem rastreador nenhum não sabem quantas pessoas entram, de onde vêm nem o que clicam. Se você está nesse grupo e paga por qualquer tipo de divulgação, instalar o Analytics é o passo de maior retorno deste post, e é gratuito.
O básico de SEO que ainda falta
| Item | Sites sem | Percentual dos 319 |
|---|---|---|
| Imagem de compartilhamento (og:image) | 152 | 47,6% |
| Título H1 na página inicial | 102 | 32,0% |
| Meta description | 78 | 24,5% |
| Dados estruturados de qualquer tipo | 141 | 44,2% |
Testado em 21/09/2026.
Quase metade dos sites não define imagem de compartilhamento. O link colado no WhatsApp aparece sem miniatura, justamente no canal que 61% deles escolheram como principal. Um quarto não tem a descrição que o Google mostra embaixo do título no resultado da busca, e quando ela falta o Google improvisa com um pedaço da página, que costuma ser o menu.
São correções de dez minutos em qualquer plataforma. No WordPress, um plugin de SEO preenche as três. Nas plataformas de loja, os campos existem no painel e ficam vazios.
Como conferir o seu site
- Abra o site no celular, em aba anônima, fora do Wi-Fi da empresa. Se não abrir em cinco segundos, você achou o primeiro problema.
- Toque em cada botão de contato. O de WhatsApp tem que abrir a conversa no número certo, e o telefone tem que discar.
- Cole o endereço numa conversa do WhatsApp com você mesmo. Se aparecer sem imagem e com a descrição errada, faltam og:image e meta description.
- Veja se aparece aviso de cookies na primeira visita. Se o site tem pixel e não tem aviso, é meia hora de trabalho com um plugin ou com o recurso nativo da plataforma.
- Confira a data de vencimento do domínio no Registro.br e em nome de quem ele está.
O passo 5 é o que evita entrar na primeira tabela deste post. O custo da renovação e o que acontece quando ela passa despercebida estão em quanto custa hospedar um site e o preço da renovação.
Limitações desta coleta
A leitura é da página inicial, num único dia, de uma única conexão. Um site em manutenção em 21/09 entrou como fora do ar. A detecção é por assinatura no código, então recurso que mora em página interna não foi contado, e plataforma sem assinatura conhecida caiu em "não identificada". E a lista Tranco mede domínios com tráfego, o que deixa de fora o site pequeno que ninguém visita, onde os números seriam piores.
A planilha da coleta
São 400 linhas com identificador anônimo, situação do domínio, plataforma, se é loja virtual e 14 colunas de sim ou não para cada recurso. O nome dos domínios ficou de fora de propósito: o objetivo é o retrato, não a lista de quem está errado. As colunas de velocidade do mesmo arquivo alimentam o próximo post.
Baixar a planilha dos 400 sites (.csv)Estes números valem para 21 de setembro de 2026. O próximo passo é o teste do celular: o seu site, em aba anônima, no 4G, com o cronômetro na mão.



