Quanto Sobra de R$ 1.000 em Cada Meio de Pagamento: 4 dos 7 Provedores Não Publicam a Taxa

Abri a página de taxas de 7 provedores em 07/09/2026 e fiz a conta de uma venda de R$ 1.000. Sobram de R$ 876,00 a R$ 1.000,00, e 4 deles não publicam a taxa.

08 de setembro de 2026·10 min read·Jacqueline Blanco
Quanto Sobra de R$ 1.000 em Cada Meio de Pagamento: 4 dos 7 Provedores Não Publicam a Taxa

Abri a página de taxas de sete provedores de pagamento em 7 de setembro de 2026 para responder uma pergunta única: de uma venda de R$ 1.000, quanto cai na conta. A resposta varia de R$ 876,00 a R$ 1.000,00 dependendo de como o cliente paga e de quando você quer o dinheiro. A parte que não esperava é que quatro dos sete não publicam a taxa em lugar nenhum do site. A planilha com as 29 linhas de coleta está no fim do post.

Como fiz a conta

Peguei uma venda única de R$ 1.000 e calculei o valor líquido em cada combinação de meio de pagamento e prazo. Onde a taxa é percentual, apliquei sobre os R$ 1.000. Onde existe tarifa fixa por transação, subtraí o valor cheio.

Todas as taxas saíram da página oficial de cada provedor, consultada em 07/09/2026. Não usei simulador, não pedi proposta comercial e não considerei negociação. O que está aqui é o que qualquer pessoa vê ao abrir o site sem falar com um vendedor, que é justamente o número que você usa para decidir antes de virar cliente.

Uma ressalva importante nas faixas de faturamento: a InfinitePay muda a taxa conforme o volume mensal, e usei sempre a faixa de entrada, até R$ 20 mil por mês. Quem fatura acima disso paga menos.

Quanto sobra de R$ 1.000

Gráfico de barras com o valor líquido de uma venda de R$ 1.000 em sete combinações de meio de pagamento e provedor, verificado em 7 de setembro de 2026

ProvedorMeioTaxaLíquido de R$ 1.000
InfinitePayPix0,00%R$ 1.000,00
PagBankPix (primeiros 30 dias)0,00%R$ 1.000,00
AsaasPix (taxa padrão)R$ 1,99 fixoR$ 998,01
AsaasDébito Tap1,25%R$ 987,50
InfinitePayDébito1,37%R$ 986,30
AsaasDébito1,89% + R$ 0,35R$ 980,75
PagBankDébito Visa/Master1,99%R$ 980,10
PagBankDébito Elo2,98%R$ 970,20
AsaasCrédito à vista2,99% + R$ 0,49R$ 969,61
InfinitePayCrédito à vista3,15%R$ 968,50
PagBankCrédito à vista, 30 dias3,19%R$ 968,10
PagBankCrédito à vista, na hora4,99%R$ 950,10
PagBankCrédito à vista Elo, na hora6,17%R$ 938,30
InfinitePayCrédito em 12x12,40%R$ 876,00

Três leituras saltam da tabela.

Entre os três que publicam, o Pix é de graça em dois e quase de graça no terceiro. A InfinitePay cobra 0% sem prazo de validade. O PagBank cobra 0% nos primeiros 30 dias e a tabela de taxas não diz o que acontece depois. O Asaas cobra tarifa fixa de R$ 1,99 por transação recebida, que em R$ 1.000 é irrelevante e em uma venda de R$ 30 come 6,6% do valor. Tarifa fixa e taxa percentual doem em ticket médio oposto.

No débito, a diferença entre o mais barato e o mais caro é de R$ 17,40. Vai de 1,25% no Asaas Tap a 2,98% no Elo do PagBank. Repare que a bandeira muda o preço: o mesmo PagBank cobra 1,99% em Visa e Mastercard e 2,98% em Elo, o que já é uma decisão de negócio sobre quais bandeiras aceitar.

No crédito à vista, o vencedor depende do prazo, não da taxa. Asaas a 2,99% mais R$ 0,49 e InfinitePay a 3,15% terminam separados por R$ 1,11 na mesma venda. O PagBank a 3,19% chega praticamente ao mesmo lugar, com uma condição escondida na coluna ao lado.

O prazo é o produto mais caro da maquininha

A tabela do PagBank publica três taxas diferentes para a mesma venda no crédito à vista, e a única variável é quando o dinheiro entra.

Comparação do valor líquido de R$ 1.000 no crédito à vista do PagBank recebendo na hora, em 14 dias e em 30 dias, verificado em 7 de setembro de 2026

PrazoTaxaLíquidoCusto de antecipar
30 dias3,19%R$ 968,10referência
14 dias3,99%R$ 960,10R$ 8,00
Na hora4,99%R$ 950,10R$ 18,00

Receber na hora em vez de esperar 30 dias custa R$ 18,00 em cada R$ 1.000. São 1,8% ao mês, o que composto dá cerca de 24% ao ano. É crédito, com nome de taxa de intermediação.

A conta muda de figura quando você coloca volume. Um negócio que fatura R$ 30 mil por mês no cartão à vista e escolhe receber na hora paga R$ 540,00 de antecipação por mês, R$ 6.480,00 por ano. Se o fluxo de caixa aguenta esperar, esse é o desconto mais fácil de conseguir sem negociar nada com ninguém.

O parcelado não é comparável entre provedores

Aqui está a armadilha que eu não esperava. A tabela do PagBank mostra "crédito parcelado" a 5,59% na hora e 3,79% em 30 dias, um número único, sem dizer em quantas parcelas. O próprio FAQ do PagBank explica que existe uma taxa de parcelamento calculada à parte, conforme a quantidade de parcelas, somada à taxa de intermediação. Então aquele 5,59% não é o custo de uma venda em 12x.

A InfinitePay, por outro lado, publica a taxa fechada por número de parcelas: de 5,39% em 2x até 12,40% em 12x na faixa de entrada. O Asaas publica por faixa: 3,49% de 2x a 6x, 3,99% de 7x a 12x e 4,29% de 13x a 21x, sempre mais R$ 0,49.

Comparar 5,59% do PagBank com 12,40% da InfinitePay levaria à conclusão errada, porque os dois números não medem a mesma coisa. Foi por isso que deixei o parcelado fora da tabela principal e mantive só o que é comparável: Pix, débito e crédito à vista.

Os quatro que não publicam a taxa

Esta parte é o achado do dia, e vale mais que a tabela.

ProvedorO que a página oficial informa em 07/09/2026
Stone"Taxas personalizadas de acordo com cada empreendimento." Consulta só no app, em Perfil, Taxas e Tarifas
Ton"Maquininhas com taxas a partir de 0,57%", sem tabela por modalidade. Simulador na página
SumUpA página de taxas redireciona para a central de ajuda, que não lista percentual
Mercado PagoA página de custos bloqueia leitura automatizada (HTTP 403). O blog oficial cita Pix de 0,99% e crédito de "cerca de" 4,98% na hora, 4,49% em 14 dias e 3,99% em 30 dias

Reparei que a tabela oficial de tarifas da Stone existe, em PDF, mas o arquivo é imagem digitalizada: não dá para ler o texto nem copiar um valor. Baixei e conferi.

O caso do Mercado Pago é o mais incômodo. Os números do próprio blog da empresa vêm acompanhados de "aproximadamente" e "cerca de", então não entram na tabela deste post. Um comparativo de taxas com valor arredondado por quem cobra a taxa não é dado, é estimativa.

Três coisas decorrem disso, se você está escolhendo provedor agora:

  1. Todo comparativo de taxas na internet que lista Stone, Ton, SumUp e Mercado Pago com percentual exato está usando número de origem desconhecida. Ou veio de uma proposta comercial de alguém, que não vale para você, ou é chute.
  2. Você só descobre a taxa desses quatro depois de abrir conta ou falar com vendedor. Isso é uma escolha de modelo comercial: preço negociado individualmente rende mais para quem vende e menos comparação para quem compra.
  3. Preço negociado não é necessariamente pior. Um negócio com volume alto costuma conseguir taxa melhor negociando do que aceitando tabela pública. O problema é para quem está começando e não tem volume para negociar.

O que fazer com esses números

O jeito rápido de usar a tabela é medir a sua própria distribuição de vendas antes de olhar taxa nenhuma. Levante quanto do seu faturamento entra por Pix, por débito, por crédito à vista e por parcelado no último trimestre. Só então compare, porque a taxa que importa é a do meio pelo qual você realmente recebe.

Se a maior parte entra por Pix, praticamente qualquer provedor da tabela resolve e a decisão passa a ser sobre outra coisa: prazo de repasse, qualidade do app, custo da maquininha, integração com o seu sistema.

Se a maior parte entra por crédito, o número que decide é o do prazo, não o da taxa de vitrine. Antes de trocar de provedor para economizar 0,2 ponto na taxa, verifique em qual prazo você está configurado hoje. Trocar de "na hora" para 30 dias no mesmo provedor economiza mais que a migração inteira.

E se você vende por link de pagamento, some a tarifa fixa. A venda pela internet no PagBank sai a 4,99% mais R$ 0,40 em 14 dias. Em uma venda de R$ 1.000, os R$ 0,40 desaparecem. Em dez vendas de R$ 100, viram R$ 4,00 e mudam a comparação com quem cobra só percentual. É o mesmo raciocínio que fiz para as ferramentas de IA em quanto custa a IA por mês no Brasil: o preço de vitrine e o custo real raramente são o mesmo número. A tabela de preços das ferramentas segue o mesmo critério, com data de coleta em cada linha.

De onde saiu cada número

Todas as páginas abaixo foram consultadas em 07/09/2026. Nenhum link aqui rende comissão para o Modo Fluxo, e nenhum tem código de parceiro.

A planilha da coleta

São 29 linhas com provedor, meio de pagamento, condição, taxa percentual, tarifa fixa, prazo de recebimento, líquido de R$ 1.000, a URL da página de onde saiu cada número e a data da coleta. Os quatro provedores que não publicam taxa estão na planilha também, com a anotação do que a página informa no lugar do preço.

Baixar a planilha de taxas (.csv)

Taxa de pagamento muda sem aviso e sem changelog. Estes números valem para 7 de setembro de 2026 e a única forma de saber se ainda valem é abrir a página oficial e conferir. Se for repetir a conta com os seus dados, comece pela sua distribuição de vendas do último trimestre e aplique as taxas do provedor que você já usa. O resultado costuma mostrar que o dinheiro está no prazo de recebimento, não na troca de maquininha.

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JB

Escrito por

Jacqueline Blanco

Especialista em automações e Inteligência Artificial, fundadora do Modo Fluxo. Ajuda negócios a aplicar IA na prática, sem enrolação. Saiba mais →

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