Minerei 196 Clínicas de Estética no Google Maps: 4 em Cada 10 Não Têm Site

Rodei um script no Google Maps e coletei 196 clínicas de estética em 5 cidades do interior de SP. 4 em cada 10 não têm site. Os dados e o método completo.

07 de agosto de 2026·8 min read·Jacqueline Blanco
Minerei 196 Clínicas de Estética no Google Maps: 4 em Cada 10 Não Têm Site

Rodei um script de 180 linhas contra o Google Maps e trouxe 196 clínicas de estética de cinco cidades do interior paulista, com telefone, nota, número de avaliações e site. A coleta levou cerca de 4 minutos. Depois cruzei os campos e cheguei no número que não esperava: 80 dessas 196 clínicas não têm site próprio, o que dá 40,8% do total.

A que mais me chamou atenção fica em Sorocaba: 601 avaliações no Google, nota 4,7, verificada. Nenhum site. Quem procura por ela no Google encontra o mapa, o telefone e mais nada.

Abaixo estão os dados abertos, o método e o erro que meu próprio filtro cometeu na primeira rodada.

Clínicas sem site próprio por cidade, em gráfico de barras empilhadas

Como a coleta foi feita

O Google Maps não entrega busca em massa pela interface. Existem duas saídas: raspar a página, que quebra a cada mudança de layout e esbarra em bloqueio, ou usar uma API que já faz esse trabalho. Escolhi a segunda, com o Outscraper, porque o resultado volta estruturado em JSON e não depende de navegador aberto.

O fluxo do script é este:

  1. Monta uma busca por cidade no formato clinica de estetica [cidade], com limite de 40 resultados
  2. Dispara as cinco buscas em modo assíncrono e guarda o ID de cada job
  3. Faz polling a cada 10 segundos até os jobs virarem Success
  4. Classifica cada registro entre alvo e não alvo pelo campo de site
  5. Mescla no CSV existente sem sobrescrever quem já estava lá

O passo 5 é o que transforma o script em ferramenta de uso contínuo. A chave de deduplicação é nome + telefone em minúsculas, então rodar de novo na mesma cidade não duplica nada e não apaga a anotação de quem já foi contatado.

const dormir = (ms) => new Promise((r) => setTimeout(r, ms));

async function buscarResultado(chave, jobId, query) {
  for (let tentativa = 0; tentativa < 30; tentativa++) {
    await dormir(10000);
    const resp = await fetch(`https://api.outscraper.cloud/requests/${jobId}`, {
      headers: { 'X-API-KEY': chave },
    });
    const json = await resp.json();
    if (json.status === 'Success') return json.data?.[0] ?? [];
    if (json.status === 'Failed') return [];
  }
  return [];
}

Sobre custo: a API é paga por volume de registros e o preço muda por plano. Tentei ler a tabela oficial no dia 07/08/2026 para citar o valor exato e o site devolveu 403 para leitura automatizada, então prefiro não chutar número. O que dá para dizer com segurança é que 200 registros ficam dentro da faixa de teste da maioria dos planos de entrada.

O que os 196 registros mostram

Dados coletados em 31/07/2026, cruzados e verificados em 07/08/2026.

Tipo de presençaClínicas% do total
Site próprio11659,2%
Nenhuma presença4623,5%
Instagram no lugar do site2311,7%
Link de WhatsApp no lugar do site63,1%
Facebook21,0%
Diretório de terceiros21,0%
Agregador de links10,5%

Os 46 sem nenhuma presença são o caso óbvio. O grupo interessante é o de baixo: 34 clínicas que preencheram o campo "site" no perfil do Google com algo que não é um site. Elas sabem que aquele espaço importa, tentaram resolver e resolveram errado.

O campo com api.whatsapp.com é o mais sintomático. A clínica coloca ali o link do próprio WhatsApp, e quem clica esperando conhecer o trabalho cai direto numa conversa que ninguém pediu.

A lacuna cresce conforme a cidade encolhe

CidadeClínicasSem site próprio%
Sorocaba402255%
Bauru402050%
São José do Rio Preto391744%
Ribeirão Preto371438%
Campinas40718%

Campinas destoa das outras quatro por uma margem grande. Com a mesma busca, o mesmo limite e o mesmo dia de coleta, a cidade tem três vezes menos clínicas descobertas sem site que Sorocaba.

Uma ressalva de método antes de tirar conclusão: o Google ordena por relevância, então os 40 primeiros resultados de Campinas tendem a ser os negócios mais estabelecidos de um mercado maior. A amostra não é aleatória, é o topo da busca. O que o número diz com segurança é que na primeira página de resultados de Campinas quase todo mundo já tem site, e nas outras quatro cidades metade não tem.

O erro que meu primeiro filtro cometeu

A função de classificação original marcava como alvo quem não tinha site ou usava rede social:

function ehAlvo(site) {
  if (!site) return true;
  const s = site.toLowerCase();
  return ['instagram.com', 'linktr.ee', 'facebook.com', 'linkr.bio', 'beacons.ai']
    .some((padrao) => s.includes(padrao));
}

Ela devolveu 72 alvos. Quando abri o CSV e olhei os domínios um por um, achei oito registros classificados como "tem site" que não tinham site nenhum: seis com link de WhatsApp e dois apontando para diretórios de profissionais, aqueles portais onde a clínica é só mais uma ficha entre centenas.

Oito em 196 parece pouco. Em porcentagem de alvo, é a diferença entre 36,7% e 40,8%. E em prospecção, cada um desses oito é uma ligação que você não faria.

A correção é uma linha na lista de padrões:

const NAO_E_SITE = [
  'instagram.com', 'facebook.com', 'linktr.ee', 'linkr.bio', 'beacons.ai',
  'api.whatsapp.com', 'wa.me', 'buscaterapeutas.com.br', 'doctoralia.com.br',
];

A lição que fica para qualquer coleta automatizada: o filtro só é confiável depois que você lê os dados brutos com os próprios olhos pelo menos uma vez. Foi o mesmo cuidado que tomei quando validei um nicho pelo Google Trends, onde a leitura errada de uma curva leva a uma decisão cara.

Quem tem site tem mais avaliação

Mediana de avaliações no Google por tipo de presença digital

Tipo de presençaClínicasMédia de avaliaçõesMediana
Site próprio11616798
Instagram no lugar do site237857
Nenhuma presença468038
Link de WhatsApp64536

Usei mediana junto com média de propósito. A clínica de 601 avaliações puxa qualquer média para cima sozinha, e a mediana mostra o que acontece com o negócio do meio da lista.

O grupo com site tem mediana de 98 avaliações contra 38 de quem não tem presença nenhuma. Duas vezes e meia mais.

Isso é correlação, não relação de causa, e a distinção importa. Clínica maior tende a ter mais orçamento para site e mais cliente para avaliar. O site não fabrica avaliação sozinho. O que o dado mostra é que a clínica sem site está sistematicamente no grupo de menor reputação registrada, e reputação registrada é o que decide a escolha de quem pesquisa no celular às onze da noite.

A nota, por sinal, não separa ninguém: 4,9 de média nas clínicas sem site contra 4,8 nas com site. O trabalho é bom nos dois grupos. A diferença está em quantas pessoas ficaram sabendo.

O arquivo com os 196 registros

Publiquei a base anonimizada. Tirei nome e telefone das clínicas, porque prospecção é dado de trabalho e não material de divulgação, e mantive o que sustenta a análise: cidade, tipo de presença, nota, número de avaliações, verificação no Google e categoria.

Baixar a base anonimizada (.csv)

São 196 linhas com separador ponto e vírgula, abre no Excel e no Google Sheets sem ajuste.

Como refazer isso no seu mercado

O método não tem nada de específico de estética. Três variáveis mudam:

  • Termo de busca. Use o nome que o Google Maps usa na categoria, não o nome técnico do setor. "clinica de estetica" traz mais que "estetica avancada"
  • Cidades. Rode uma por vez e compare. A diferença entre Campinas e Sorocaba só apareceu porque as cinco foram medidas com o mesmo critério
  • Definição de alvo. É a parte que exige julgamento humano. Para vender site, quem usa Instagram é alvo. Para vender tráfego pago, talvez não

O ponto que economiza mais tempo vem depois da coleta: ordene por número de avaliações antes de abordar. Uma clínica com 300 avaliações e sem site tem demanda comprovada e um gargalo evidente. Uma com 8 avaliações tem outro problema, e não é o site.

O mesmo raciocínio de coletar sozinho em vez de comprar lista pronta vale para monitorar concorrente, e eu montei um workflow no n8n que faz isso com preço.

O próximo passo

Pegue sua cidade e seu segmento, rode 40 resultados e conte quantos não têm site. Se a proporção bater perto dos 40% que achei aqui, você tem uma lista de trabalho pronta em vez de uma tarde inteira copiando telefone do Google no caderno.

📩 Gostou deste artigo?

Receba conteúdo como este toda semana, direto no seu email.

#prospeccao automatica google maps#minerar leads google maps#outscraper api#lista de clinicas de estetica#automacao de prospeccao b2b
JB

Escrito por

Jacqueline Blanco

Especialista em automações e Inteligência Artificial, fundadora do Modo Fluxo. Ajuda negócios a aplicar IA na prática, sem enrolação. Saiba mais →

Leia também